Invasão a CMEI em Curitiba: veja a sequência da ocorrência e do resgate de 13 crianças
Homem ameaçou alunos com faca e material inflamável durante cerca de três horas. A intervenção do Bope terminou com a morte do invasor; cinco crianças passaram por avaliação médica.
Uma atividade de comemoração ao Dia das Crianças foi interrompida por uma invasão ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira (9). Um homem entrou na unidade e manteve alunos sob ameaça durante aproximadamente três horas, até a intervenção do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Treze crianças foram resgatadas, e cinco precisaram ser encaminhadas para avaliação médica. O invasor morreu após ser atingido por um disparo durante a entrada dos policiais.
Naquele dia, os alunos participavam de uma programação alusiva ao dia 12 de outubro, inclusive com penteados caracterizados. A ocorrência mobilizou equipes de segurança, socorristas e profissionais da educação. Veja como os acontecimentos se desenrolaram.
Invasor chegou de bicicleta e pulou a cerca
O homem foi até o CMEI de bicicleta, deixou o veículo do lado de fora e pulou a cerca para acessar o estabelecimento. Depois de entrar, passou a ameaçar as crianças em uma das salas.
Ele carregava uma faca, um objeto semelhante a uma pistola e material inflamável. Mais tarde, foi confirmado que a suposta arma de fogo era um simulacro. O produto inflamável exalava um cheiro forte no ambiente.
Os primeiros relatos indicavam a presença de 23 crianças na sala e a liberação inicial de oito delas. Esses números eram preliminares e não constituíam um balanço consolidado. Ao término da operação, foram confirmadas 13 crianças resgatadas pela equipe policial.
Área foi isolada e policiais iniciaram as negociações
Após o chamado à central 190, equipes do 12º Batalhão de Polícia Militar seguiram para o CMEI. Profissionais especializados em gerenciamento de crises também foram mobilizados.
O isolamento da unidade permitiu organizar a operação e restringir o acesso à área de risco. O trabalho contou ainda com apoio aéreo do helicóptero Falcão 13, do Comando de Aviação da Polícia Militar.
Dentro do estabelecimento, os negociadores tentaram tranquilizar o homem e as crianças, buscando a libertação dos alunos sem uma intervenção armada. Ao mesmo tempo, avaliavam as condições da sala e os riscos aos reféns.
Enquanto as negociações ocorriam, a direção e os professores retiraram outras crianças da unidade. A atuação dos profissionais impediu que mais alunos permanecessem expostos à situação.
Agressões e ameaça de incêndio agravaram a ocorrência
Com o avanço das negociações, o comportamento do invasor se tornou mais agressivo. Além das ameaças verbais, ele passou a segurar crianças com força. O relato apresentado após a operação indicou que uma ou duas delas chegaram a se machucar.
Os alunos choravam, estavam abalados e pediam para ir ao banheiro. Durante o acompanhamento da situação, os policiais observaram ferimentos no rosto de uma das crianças.
A presença de material inflamável aumentava o risco. O homem manipulava um pano e segurava um isqueiro, ameaçando iniciar um incêndio no local.
Bope realizou a entrada diante do aumento do risco
Depois de aproximadamente duas horas e meia a três horas de negociação, a equipe identificou uma oportunidade para entrar na sala. A decisão levou em consideração as agressões, o sofrimento das crianças e a possibilidade de incêndio.
O coronel Alexandre Lopes Dias, comandante de Missões Especiais da Polícia Militar, explicou que a intervenção foi definida quando os agentes avaliaram que a continuidade das conversas já não oferecia proteção suficiente às vítimas.
O objetivo da entrada tática era interromper as ameaças e retirar os alunos do ambiente.
Homem tentou alcançar uma criança durante a intervenção
Durante a entrada dos policiais, o invasor tentou avançar em direção a uma das crianças. Nesse momento, foi atingido por um tiro e morreu no local.
A confirmação de que o objeto semelhante a uma pistola era uma imitação ocorreu posteriormente. Além do simulacro, permaneciam entre os elementos de risco a faca e o material inflamável utilizados nas ameaças.
Resgate foi seguido de atendimento emergencial
Com a intervenção concluída, os policiais retiraram as 13 crianças que ainda estavam sob ameaça. Elas foram levadas até os profissionais de saúde e bombeiros que aguardavam do lado de fora.
Algumas choravam intensamente e demonstravam forte abalo emocional. As equipes iniciaram os atendimentos assim que os alunos foram retirados da unidade.
Participaram da operação o 12º Batalhão de Polícia Militar, o Bope e o Comando de Aviação da PM, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal de Curitiba e Polícia Civil.
Cinco alunos foram levados a uma UPA
Cinco das crianças resgatadas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os encaminhamentos ocorreram por orientação das equipes de atendimento ou a pedido dos responsáveis.
Uma delas apresentava lesões visíveis no rosto, atribuídas às agressões do invasor. As demais também receberam assistência das equipes de emergência após o resgate.
A retirada dos outros alunos pela direção e pelos professores foi destacada no balanço da operação como uma medida importante para reduzir a exposição de crianças ao perigo.
Motivação e autoria de carta permanecem sem esclarecimento
O homem foi identificado após o encerramento da ocorrência. Na entrevista coletiva, o coronel afirmou ter recebido a informação de que ele tinha esquizofrenia. O relato, porém, não foi acompanhado de confirmação clínica apresentada na reportagem, nem estabeleceu relação entre essa informação e a invasão.
O comandante ressaltou que não era possível afirmar qual teria sido a intenção do homem ou o motivo do ataque.
Uma carta também foi localizada durante a ocorrência. O documento teria caído quando o invasor entrou na unidade, mas sua autoria não estava confirmada. A existência do texto, portanto, não permitia concluir quem o escreveu ou atribuir uma motivação ao caso.
As circunstâncias da invasão e os elementos recolhidos deverão ser esclarecidos na investigação.