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Invasão a CMEI em Curitiba: veja a sequência da ocorrência e do resgate de 13 crianças

Homem ameaçou alunos com faca e material inflamável durante cerca de três horas. A intervenção do Bope terminou com a morte do invasor; cinco crianças passaram por avaliação médica.

Foto do Autor Larissa Parizotto | Redação

Por Larissa Parizotto | Redação

Fonte: Banda B

Postado: 10/10/2026

Foto: Cristiano Vaz/Banda B/ colaboraçãoPublicado primeiro em Banda B » Da invasão à ação do BOPE! E

Uma atividade de comemoração ao Dia das Crianças foi interrompida por uma invasão ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira (9). Um homem entrou na unidade e manteve alunos sob ameaça durante aproximadamente três horas, até a intervenção do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

Treze crianças foram resgatadas, e cinco precisaram ser encaminhadas para avaliação médica. O invasor morreu após ser atingido por um disparo durante a entrada dos policiais.

Naquele dia, os alunos participavam de uma programação alusiva ao dia 12 de outubro, inclusive com penteados caracterizados. A ocorrência mobilizou equipes de segurança, socorristas e profissionais da educação. Veja como os acontecimentos se desenrolaram.

Invasor chegou de bicicleta e pulou a cerca

O homem foi até o CMEI de bicicleta, deixou o veículo do lado de fora e pulou a cerca para acessar o estabelecimento. Depois de entrar, passou a ameaçar as crianças em uma das salas.

Ele carregava uma faca, um objeto semelhante a uma pistola e material inflamável. Mais tarde, foi confirmado que a suposta arma de fogo era um simulacro. O produto inflamável exalava um cheiro forte no ambiente.

Os primeiros relatos indicavam a presença de 23 crianças na sala e a liberação inicial de oito delas. Esses números eram preliminares e não constituíam um balanço consolidado. Ao término da operação, foram confirmadas 13 crianças resgatadas pela equipe policial.

Área foi isolada e policiais iniciaram as negociações

Após o chamado à central 190, equipes do 12º Batalhão de Polícia Militar seguiram para o CMEI. Profissionais especializados em gerenciamento de crises também foram mobilizados.

O isolamento da unidade permitiu organizar a operação e restringir o acesso à área de risco. O trabalho contou ainda com apoio aéreo do helicóptero Falcão 13, do Comando de Aviação da Polícia Militar.

Dentro do estabelecimento, os negociadores tentaram tranquilizar o homem e as crianças, buscando a libertação dos alunos sem uma intervenção armada. Ao mesmo tempo, avaliavam as condições da sala e os riscos aos reféns.

Enquanto as negociações ocorriam, a direção e os professores retiraram outras crianças da unidade. A atuação dos profissionais impediu que mais alunos permanecessem expostos à situação.

Agressões e ameaça de incêndio agravaram a ocorrência

Com o avanço das negociações, o comportamento do invasor se tornou mais agressivo. Além das ameaças verbais, ele passou a segurar crianças com força. O relato apresentado após a operação indicou que uma ou duas delas chegaram a se machucar.

Os alunos choravam, estavam abalados e pediam para ir ao banheiro. Durante o acompanhamento da situação, os policiais observaram ferimentos no rosto de uma das crianças.

A presença de material inflamável aumentava o risco. O homem manipulava um pano e segurava um isqueiro, ameaçando iniciar um incêndio no local.

Bope realizou a entrada diante do aumento do risco

Depois de aproximadamente duas horas e meia a três horas de negociação, a equipe identificou uma oportunidade para entrar na sala. A decisão levou em consideração as agressões, o sofrimento das crianças e a possibilidade de incêndio.

O coronel Alexandre Lopes Dias, comandante de Missões Especiais da Polícia Militar, explicou que a intervenção foi definida quando os agentes avaliaram que a continuidade das conversas já não oferecia proteção suficiente às vítimas.

O objetivo da entrada tática era interromper as ameaças e retirar os alunos do ambiente.

Homem tentou alcançar uma criança durante a intervenção

Durante a entrada dos policiais, o invasor tentou avançar em direção a uma das crianças. Nesse momento, foi atingido por um tiro e morreu no local.

A confirmação de que o objeto semelhante a uma pistola era uma imitação ocorreu posteriormente. Além do simulacro, permaneciam entre os elementos de risco a faca e o material inflamável utilizados nas ameaças.

Resgate foi seguido de atendimento emergencial

Com a intervenção concluída, os policiais retiraram as 13 crianças que ainda estavam sob ameaça. Elas foram levadas até os profissionais de saúde e bombeiros que aguardavam do lado de fora.

Algumas choravam intensamente e demonstravam forte abalo emocional. As equipes iniciaram os atendimentos assim que os alunos foram retirados da unidade.

Participaram da operação o 12º Batalhão de Polícia Militar, o Bope e o Comando de Aviação da PM, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal de Curitiba e Polícia Civil.

Cinco alunos foram levados a uma UPA

Cinco das crianças resgatadas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os encaminhamentos ocorreram por orientação das equipes de atendimento ou a pedido dos responsáveis.

Uma delas apresentava lesões visíveis no rosto, atribuídas às agressões do invasor. As demais também receberam assistência das equipes de emergência após o resgate.

A retirada dos outros alunos pela direção e pelos professores foi destacada no balanço da operação como uma medida importante para reduzir a exposição de crianças ao perigo.

Motivação e autoria de carta permanecem sem esclarecimento

O homem foi identificado após o encerramento da ocorrência. Na entrevista coletiva, o coronel afirmou ter recebido a informação de que ele tinha esquizofrenia. O relato, porém, não foi acompanhado de confirmação clínica apresentada na reportagem, nem estabeleceu relação entre essa informação e a invasão.

O comandante ressaltou que não era possível afirmar qual teria sido a intenção do homem ou o motivo do ataque.

Uma carta também foi localizada durante a ocorrência. O documento teria caído quando o invasor entrou na unidade, mas sua autoria não estava confirmada. A existência do texto, portanto, não permitia concluir quem o escreveu ou atribuir uma motivação ao caso.

As circunstâncias da invasão e os elementos recolhidos deverão ser esclarecidos na investigação.

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