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Medianeira busca novas famílias acolhedoras; serviço atende 24 crianças e adolescentes

Equipe explica quem pode participar, como funciona a seleção e quais apoios são oferecidos durante o acolhimento temporário.

Foto do Autor Larissa Parizotto | Redação

Por Larissa Parizotto | Redação

Postado: 13/10/2026

Medianeira precisa ampliar o número de famílias disponíveis para acolher temporariamente crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem. Atualmente, 24 estão no serviço Família Acolhedora, enquanto outros nove permanecem no acolhimento institucional por não haver famílias com perfil compatível para recebê-los.

Os números foram apresentados nesta terça-feira (13) pela equipe do serviço, durante entrevista com a participação do secretário de Assistência Social, Antônio Carlos, conhecido como Toninho, da assistente social Juliana e da psicóloga Patrícia Oliveira.

O município conta com 22 famílias aptas, das quais 16 estão acolhendo, e outras oito em processo de seleção. Ao longo da trajetória do serviço, 41 famílias já participaram.

A divulgação ocorre no contexto da Semana de Conscientização sobre o Acolhimento Familiar e busca esclarecer dúvidas que ainda afastam interessados. Entre elas estão a duração do acolhimento, o vínculo afetivo com a criança, a responsabilidade financeira e o acompanhamento oferecido pelo município.

Uma família durante o período de proteção

O Família Acolhedora recebe crianças e adolescentes que, temporariamente, não podem permanecer com seus responsáveis. O atendimento acontece na residência de uma família selecionada e preparada, com acompanhamento técnico.

A proposta é proporcionar cuidado individualizado, proteção e convivência familiar durante o período necessário para que a situação seja avaliada e encaminhada.

Juliana explicou que o acolhimento permite à criança participar de uma rotina de família: compartilhar refeições, acompanhar atividades cotidianas e conviver com outras pessoas da rede familiar e comunitária.

O serviço não é um caminho para adoção. O acolhimento tem caráter temporário, e um dos requisitos apresentados pela equipe é que os interessados não tenham a intenção de adotar por meio dele.

O trabalho prioriza o retorno à família de origem quando houver condições de segurança. Também pode ser avaliada a possibilidade de convivência com familiares próximos, como avós e tios. Os demais encaminhamentos dependem da análise judicial de cada caso.

Por que uma criança precisa ser acolhida

Durante a entrevista, a equipe explicou que o afastamento está relacionado a situações graves de ameaça ou violação de direitos. Foram citados casos de violência física, psicológica e sexual, além de negligência e abandono.

O atendimento envolve a rede de proteção, com participação de serviços da assistência social, saúde, educação, Conselho Tutelar e sistema de Justiça.

Há situações em que a família já é acompanhada e outras que exigem atendimento emergencial. Em ambos os casos, o acolhimento é uma medida de proteção, e a situação precisa ser acompanhada e submetida aos procedimentos competentes.

A disponibilidade de famílias preparadas permite organizar o recebimento da criança em um momento que costuma ser delicado. Por isso, o serviço procura manter um cadastro com diferentes perfis de acolhimento.

Quem pode se candidatar

Entre os requisitos informados estão ter mais de 18 anos, residir em Medianeira há pelo menos um ano e contar com pelo menos um integrante da família com renda formal.

Não há restrição de sexo ou estado civil. A participação, porém, depende de avaliação técnica e da compreensão das responsabilidades do acolhimento temporário.

O primeiro passo é procurar a equipe para uma conversa. Nesse encontro, os interessados podem esclarecer dúvidas antes de decidir pelo início da seleção.

O processo inclui apresentação de documentos, entrevistas, visita domiciliar, avaliação psicológica e capacitação. Também são consideradas informações da rede de proteção e a emissão de parecer psicossocial favorável.

A equipe avalia com cada família sua organização, disponibilidade e condições de cuidado. São discutidas questões como a possibilidade de receber bebês, crianças maiores, adolescentes ou grupos de irmãos.

Por que ainda há crianças no acolhimento institucional

A existência de famílias cadastradas não significa que todas possam receber qualquer criança ou adolescente naquele momento. É necessário considerar as necessidades de quem será acolhido e as condições da família.

Na entrevista, Patrícia explicou que os nove acolhidos que estão na instituição não contavam, naquele momento, com famílias disponíveis de perfil compatível.

A ampliação do cadastro aumenta as possibilidades de atendimento e permite que a equipe encontre alternativas mais adequadas para diferentes idades e situações.

Vínculo afetivo faz parte do cuidado

Uma das dúvidas mais frequentes entre interessados é o receio de criar afeto e sofrer quando a criança deixar a residência.

Para a psicóloga, o vínculo não deve ser evitado. Ele é parte importante da proteção oferecida durante o acolhimento.

“A família tem que, sim, se apegar àquela criança”, afirmou Patrícia.

A profissional explicou que a criança precisa se sentir segura e acolhida. Mesmo quando houve violações de direitos, o afastamento da família de origem representa uma mudança significativa, que exige atenção e sensibilidade.

O desafio é oferecer carinho e estabilidade compreendendo, desde o início, que o acolhimento é temporário e que a saída será acompanhada pela equipe.

Família recebe acompanhamento durante todo o processo

Durante o acolhimento, a família recebe um termo de guarda provisória e conta com apoio técnico. O acompanhamento não se encerra com a chegada da criança à residência.

A equipe orienta os responsáveis, acompanha a adaptação e participa dos encaminhamentos necessários.

Patrícia também esclareceu que, na organização apresentada pelo serviço municipal, os encontros com a família de origem são acompanhados pelos profissionais e realizados na sede. A família biológica não vai à casa da família acolhedora.

“A família acolhedora não fica sozinha durante esse processo”, destacou.

A média de permanência informada para o serviço municipal é de aproximadamente sete meses. O período de cada acolhimento, entretanto, depende das necessidades e dos encaminhamentos de cada caso.

Bolsa-auxílio ajuda nas despesas

As famílias recebem uma bolsa-auxílio para contribuir com os gastos relacionados à criança ou ao adolescente durante o acolhimento.

A equipe ressaltou que o recurso não é salário nem renda permanente. O pagamento está vinculado ao período em que a família efetivamente acolhe e termina com o encerramento do atendimento.

Por esse motivo, a existência de renda própria é um dos aspectos considerados na seleção.

Também foi apresentada a possibilidade de isenção proporcional do IPTU, relacionada aos meses de acolhimento no ano. As condições para acesso devem ser esclarecidas diretamente com a equipe.

Apoio na chegada à vida adulta

Outro assunto abordado foi o Programa Horizonte, voltado ao apoio de jovens que chegam à maioridade durante o acolhimento.

A iniciativa foi apresentada como uma forma de auxiliar a organização da vida após a saída do serviço, incluindo necessidades como aluguel e aquisição de móveis.

A equipe informou ainda que acompanha os períodos posteriores ao encerramento dos acolhimentos por seis meses, oferecendo suporte durante a transição.

Como procurar o serviço

As famílias interessadas podem buscar atendimento presencial para conhecer o funcionamento e iniciar a conversa com os profissionais.

O endereço é Rua Amapá, 1420, no bairro Ipê, entre a Prefeitura e o CRAS.

Procurar o serviço não significa assumir imediatamente um acolhimento. A primeira etapa é entender a proposta, esclarecer dúvidas e avaliar, com a equipe, se a participação é adequada à realidade da família.

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