Como funciona a lacração das urnas: reportagem acompanha procedimento em Medianeira
Lacres numerados e assinados são aplicados após a carga e os testes; etapa pública foi acompanhada pelo Medianeira News, Rádio Cultura e Ministério Público.
Depois de receber os dados da eleição e passar pelos procedimentos de conferência e teste, cada urna eletrônica destinada às seções eleitorais precisa ser fechada e lacrada antes de seguir para os locais de votação. O Medianeira News e a Rádio Cultura acompanharam de perto essa etapa durante a preparação dos equipamentos da 114ª Zona Eleitoral, em Medianeira.
A zona eleitoral atende Medianeira, Missal e Serranópolis do Iguaçu. Durante a cerimônia pública, a reportagem acompanhou a abertura e a ligação dos equipamentos, a carga dos dados, os testes, o fechamento das urnas e, por fim, a colocação dos lacres.
Mais do que simplesmente “fechar” o equipamento, a lacração integra um conjunto de procedimentos de controle previsto pela Justiça Eleitoral. A Resolução nº 23.751/2026 determina que as urnas de votação e de contingência sejam preparadas, testadas e lacradas durante cerimônia pública. Partidos, federações, coligações, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil são convocados para acompanhar o procedimento.
Lacres são numerados e evidenciam tentativa de violação
Os lacres utilizados nas urnas não são adesivos comuns. Para as Eleições 2026, eles são confeccionados pela Casa da Moeda do Brasil em material autoadesivo de segurança, com numeração sequencial de sete dígitos.
A regra estabelece ainda que a fixação deve permitir identificar eventual tentativa de abertura dos compartimentos protegidos. Os jogos destinados ao primeiro turno incluem lacres para áreas como a mídia de votação, gabinete e conexões USB do terminal do eleitor, mídia de resultado e terminal do mesário.
Durante a preparação acompanhada em Medianeira, o promotor eleitoral Leone Nivaldo Gonçalves explicou que os lacres receberam assinaturas da juíza eleitoral, do Ministério Público e de representantes partidários presentes.
Pelas normas do Tribunal Superior Eleitoral, os lacres devem ser assinados pela autoridade responsável pela cerimônia ou pelos integrantes da comissão designada. Representantes do Ministério Público, OAB, partidos, federações e coligações presentes também podem assiná-los.
A participação das diferentes instituições é justamente uma das formas de permitir fiscalização externa sobre o procedimento.
“É bastante saudável a presença da imprensa nessa cerimônia aqui hoje”, afirmou Leone durante o acompanhamento realizado pela reportagem.
Cada urna fica vinculada ao seu conjunto de lacres
O controle não termina quando o adesivo é colocado no equipamento. Durante a preparação, o técnico responsável assina o extrato de carga e nele é fixada a etiqueta correspondente ao jogo de lacres utilizado naquela urna.
Ao final da carga, também é emitido um comprovante, que deve ser assinado e acondicionado junto ao equipamento. Os lacres que forem assinados e não utilizados precisam ser destruídos, enquanto as etiquetas com suas numerações são preservadas e anexadas à ata da cerimônia.
Isso permite documentar quais lacres foram utilizados e vincular o material ao processo de preparação de cada equipamento.
A cerimônia também gera uma ata circunstanciada, assinada pelas autoridades responsáveis e, caso desejem, pelos representantes das entidades fiscalizadoras que acompanharam os trabalhos.
Urnas passam por testes antes de serem novamente fechadas
A lacração ocorre depois dos procedimentos de preparação e conferência. A legislação eleitoral prevê, entre outras verificações, uma demonstração de votação em pelo menos uma urna por zona eleitoral e a checagem da integridade e autenticidade dos sistemas instalados.
Na demonstração, é possível conferir visualmente dados de candidatos e partidos e acompanhar o funcionamento do processo de votação. Também podem ser verificados os resumos digitais dos programas instalados e as assinaturas digitais dos arquivos. A urna utilizada nessa demonstração precisa ser novamente lacrada depois do procedimento.
Foi justamente essa sequência que a reportagem acompanhou em Medianeira: urna aberta para preparação, equipamento ligado e configurado, realização dos testes e, concluída a conferência, fechamento e colocação dos lacres.
Lacração da urna é diferente da lacração dos sistemas
Apesar dos nomes semelhantes, há uma diferença entre a lacração acompanhada nos cartórios eleitorais e a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em 4 de setembro, o TSE concluiu a versão dos programas que serão utilizados nas Eleições 2026. Os sistemas foram assinados digitalmente, tiveram seus resumos digitais gerados e foram lacrados em cerimônia realizada na sede do Tribunal.
Já a etapa acompanhada em Medianeira ocorre posteriormente: os equipamentos recebem os sistemas e dados correspondentes à eleição, passam pelas verificações previstas e são fisicamente lacrados para utilização nas seções eleitorais.
O que acontece com a urna depois de lacrada
Depois da preparação, os equipamentos permanecem desligados até as etapas seguintes do cronograma da Justiça Eleitoral.
A chefe do Cartório Eleitoral da 114ª Zona, Adeline Miranda Gasparelli, explicou à reportagem que os acionamentos dos equipamentos ficam registrados em arquivos de log.
“Toda vez que ela é ligada, é criado um log. É possível a entidade fiscalizadora solicitar esse relatório e saber se essa urna foi ligada em um momento em que não deveria”, explicou.
No sábado que antecede a eleição, os equipamentos são levados e preparados nos respectivos locais de votação, seguindo os procedimentos definidos pela Justiça Eleitoral.
No domingo, 4 de outubro, antes do início da votação, a urna também emite a zerésima, relatório que demonstra que não existem votos registrados para candidatos naquele equipamento. A votação do primeiro turno começa às 8h, pelo horário de Brasília.