Trend dos anos 80 viraliza nas redes sociais com fotos criadas por inteligência artificial
Fotos com cabelos volumosos e looks retrô movimentam as redes; equipe do Grupo Utz, do Medianeira News e da Rádio Cultura também entrou na brincadeira.
O cabelão voltou, as ombreiras cresceram e o Instagram ganhou cara de álbum de família. A trend “como eu seria nos anos 80” está transformando fotos atuais em retratos inspirados na década, com ajuda da inteligência artificial. A brincadeira chegou aos famosos e também à equipe do Grupo Utz, do Medianeira News e da Rádio Cultura.
A proposta é imaginar a própria aparência em outra época. A partir de uma fotografia, a ferramenta recria penteados, roupas, acessórios e cenários, buscando manter o rosto reconhecível. O acabamento pode incluir cores desbotadas e textura de fotografia antiga. Nos Stories, o adesivo “adicione o seu” ajuda a passar a brincadeira de um perfil para outro.
O atrativo é fácil de entender: ver um rosto conhecido com um cabelo inesperado ou uma roupa que parece ter saído de uma novela antiga rende comparação, surpresa e humor. E ninguém precisa cortar o cabelo ou procurar uma jaqueta no brechó para experimentar.
A moda dos anos 80 já estava por aí
Ombreiras, jeans, couro, cores fortes e cabelos volumosos formam boa parte do repertório visual dessas montagens. Mas a influência da década na moda não começou com a inteligência artificial.
Em 2024, por exemplo, a Vogue já destacava a retomada dos ternos de inspiração oitentista e dos ombros estruturados em coleções de marcas como Saint Laurent, Balmain e Schiaparelli. A releitura combinava peças de alfaiataria com elementos contemporâneos.
A trend funciona, assim, como uma vitrine divertida para referências que a moda continua revisitando. Na tela, é possível testar um blazer mais amplo, uma maquiagem colorida ou um penteado cheio de volume antes mesmo de pensar em usar algo parecido.
Isso não significa que todo mundo vá adotar o visual completo. O interesse pode ficar na brincadeira ou aparecer em um detalhe: um brinco, uma combinação de cores, uma peça recuperada do guarda-roupa.
Por que tanta vontade de visitar o passado?
A nostalgia ajuda a explicar o apelo. Para quem viveu a década, as imagens podem lembrar festas, músicas e fotografias guardadas em casa. Para quem nasceu depois, oferecem uma maneira de se imaginar no tempo dos pais — e descobrir alguma semelhança pelo caminho.
Segundo o Centro de Pesquisa em Nostalgia da Universidade de Southampton, lembranças nostálgicas podem fortalecer sentimentos de pertencimento e conexão social. Os estudos tratam da nostalgia de forma geral, mas ajudam a compreender por que referências ao passado despertam identificação.
Na cultura digital, a brincadeira também permite participar de uma experiência coletiva sem abrir mão da própria imagem: o tema é o mesmo, mas cada pessoa ganha um resultado diferente. É uma combinação de curiosidade sobre si, referências compartilhadas e vontade de entrar na conversa.
Há ainda uma mudança na maneira de criar essas imagens. Com instruções em texto, o usuário consegue experimentar cenários e estilos sem montar um figurino ou organizar uma sessão de fotos. Ao mesmo tempo, a aparência realista pede atenção: essas versões imaginadas não são documentos de como alguém realmente era naquela época.
Por aqui, também teve transformação
A equipe do Grupo Utz, do Medianeira News e da Rádio Cultura entrou na proposta com versões individuais e uma montagem coletiva em um estúdio retrô.
Cada integrante ganhou um estilo próprio, entre cabelos repicados, roupas coloridas, produções mais discretas e um visual gaúcho com chapéu e chimarrão. Microfones, discos de vinil e equipamentos de som completaram o cenário criado com inteligência artificial.
Agora, fica a pergunta: você encararia o visual que a IA escolheu ou deixaria o cabelão só na foto?