Conversando com o Empresário: Guarani Musical relembra 52 anos de história em Medianeira
Arnulfo e Gabriel Meaurio contaram como a empresa passou dos discos de vinil ao comércio de instrumentos, serviços de áudio e vendas pela internet.
Uma história que começou com discos de vinil e fitas cassete, atravessou mudanças no mercado musical e hoje alcança clientes também por meio da internet. A trajetória da Guarani Musical, empresa de Medianeira que completa 52 anos em 2026, foi tema do quadro Conversando com o Empresário, da Rádio Cultura, nesta sexta-feira (21). Arnulfo Meaurio e o filho Gabriel Meaurio falaram sobre a origem do negócio, as transformações ao longo das décadas e os planos para o futuro.
Segundo Arnulfo, a história começou em 1974, quando seus pais, Roque Jacinto Samaniego Meaurio e Nair Paulina Meaurio, deram início à empresa. O primeiro contrato social, conforme relatado por ele durante a entrevista, foi feito em 1º de abril daquele ano. Roque trabalhava como eletricista e encanador e decidiu iniciar uma nova atividade comercial para a família.
A decisão, contou Arnulfo, foi uma surpresa para a mãe. O casal viajou de ônibus até Londrina e, somente ao chegar à cidade, Roque revelou o plano.
“Depois que saíram do ônibus, ele falou: ‘Agora você vai vender disco, vai começar a trabalhar com disco’. Fizeram uma compra e, de lá para cá, começou a Guarani”, relembrou.
Os primeiros produtos comercializados foram discos de vinil e fitas cassete. O nome da empresa também guarda uma referência familiar. De acordo com Arnulfo, o pai nasceu no Paraguai, e essa origem inspirou a escolha de Guarani Musical.
A primeira loja funcionou na Avenida Brasília, no prédio onde estava a Ótica Marissol. Posteriormente, a empresa passou para uma sala própria na Rua Sergipe e, nos anos 1980, retornou à Avenida Brasília, já no endereço onde permanece atualmente.
Com as mudanças no consumo de música, a Guarani também precisou modificar o próprio negócio. Além dos discos e fitas, a empresa chegou a trabalhar com rádios, toca-fitas, toca-discos e outros equipamentos eletrônicos. Mais tarde, instrumentos musicais, cordas e acessórios ganharam espaço.
Arnulfo contou que a ampliação desse segmento ocorreu gradualmente, em uma época em que era necessário negociar diretamente com representantes e calcular cuidadosamente cada novo investimento.
“Era uma briga, um namoro, na verdade. Você ia sonhando e trabalhando. E conseguimos trabalhar mais forte com instrumentos”, afirmou.
A entrada de Arnulfo no dia a dia da empresa marcou também a passagem de uma geração para outra. Depois de um período morando fora, ele retornou a Medianeira para trabalhar com os pais. Durante a entrevista, destacou ainda a participação de Edna Mitie Yoshida, colaboradora de longa trajetória na empresa, a quem atribuiu papel importante na história da Guarani.
“Temos uma gratidão muito grande por ela e uma admiração muito grande. Ela é da família”, disse.
Décadas depois, uma nova transição começou a ganhar força. Aos 23 anos, Gabriel Meaurio, filho de Arnulfo, atua principalmente na expansão dos canais digitais da empresa. Segundo ele, o desafio é levar para a internet um negócio construído durante mais de cinco décadas sem perder a reputação conquistada no atendimento presencial.
“Desde o início, o pai sempre falava: ‘Gabriel, cuida, porque o nome é um só’. Esse vem sendo o nosso desafio: crescer de forma saudável e mantendo a palavra”, explicou.
A empresa mantém a loja física em Medianeira, mas também comercializa produtos pelo próprio site e por marketplaces. Para Gabriel, os dois formatos são complementares.
“A loja física é o que garante a solidez para o negócio”, afirmou.
A internet também ampliou o alcance geográfico da Guarani Musical. Durante a entrevista, Gabriel citou contatos de consumidores de outros países e lembrou que a empresa já enviou uma viola para Boston, nos Estados Unidos. A estratégia para os próximos anos é ampliar o estoque destinado ao comércio eletrônico e aumentar a variedade e a disponibilidade de determinados produtos.
Ao longo da trajetória, a diversificação não ocorreu apenas nas vendas. Arnulfo lembrou que a empresa já trabalhou com instalação de antenas, foi revendedora de telefonia e ampliou a atuação na área de equipamentos de áudio. Atualmente, também presta serviços de sonorização, manutenção técnica, som ambiente e soluções relacionadas à automação.
“Está sempre se reinventando”, resumiu Arnulfo ao falar das diferentes fases da empresa.
Entre os momentos mais difíceis enfrentados ao longo dessas cinco décadas, ele apontou a pandemia de Covid-19. O período de fechamento do comércio trouxe incertezas sobre a continuidade das atividades, enquanto despesas, compromissos trabalhistas e pagamentos a fornecedores permaneceram.
A entrevista também abordou a relação da Guarani Musical com o Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ. Arnulfo classificou a cooperativa como uma das principais parceiras da empresa e afirmou que o Sicredi é a instituição financeira mais utilizada pela Guarani. A relação ocorre também na prestação de serviços: recentemente, a empresa realizou trabalhos de atualização e adequação da sonorização do auditório da agência Pedro Soccol, em Medianeira.
“O Sicredi é um grande parceiro. É o banco que a gente mais utiliza e é um grande parceiro nosso, tanto nós sendo clientes deles como também atendendo eles”, afirmou Arnulfo.
Para o futuro, a família pretende continuar ampliando tanto a área de áudio quanto o comércio eletrônico. Além de Gabriel, Arnulfo citou a participação da filha Sofia na empresa e destacou a importância da continuidade familiar de um negócio iniciado por seus pais há mais de cinco décadas.
“Assim como eu fui sucessor dos meus pais, vamos continuar, vamos lutar”, afirmou Arnulfo.
Gabriel também destacou que o objetivo é crescer sem abandonar os princípios construídos ao longo da trajetória.
“A nossa expectativa é que a Guarani perdure durante o tempo, que a gente consiga crescer de forma saudável e impactar cada vez mais pessoas”, disse.
O Conversando com o Empresário é exibido às sextas-feiras pela Rádio Cultura e apresenta histórias e experiências de empresários de Medianeira. O quadro conta com patrocínio e apoio do Sicredi Vanguarda.