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Amor-Exigente de Medianeira orienta famílias que convivem com dependência química

Grupo realiza reuniões gratuitas todas as segundas-feiras e oferece apoio a familiares por meio da troca de experiências e de uma metodologia de auto e mútua ajuda.

Foto do Autor Larissa Parizotto | Redação

Por Larissa Parizotto | Redação

Atualizado: 02/09/2026 • Postado: 02/09/2026

O Amor-Exigente de Medianeira oferece apoio a famílias que convivem com situações relacionadas à dependência química. O trabalho desenvolvido pelo grupo foi apresentado durante entrevista ao programa Bom Dia Cultura, apresentado por Malu Padilha na Rádio Cultura, com a participação de Mário e Antônia, integrantes do Amor-Exigente.

Mário explicou que o Amor-Exigente funciona como um grupo de auto e mútua ajuda, com uma metodologia baseada em 12 princípios, espiritualidade pluralista e responsabilidade social. Segundo ele, o trabalho busca principalmente auxiliar os familiares que passam a concentrar grande parte da própria vida nos problemas enfrentados pelo dependente.

“O codependente não consegue ajudar outra pessoa se também estiver adoecido. Ele precisa procurar ajuda, estar bem e entender qual é o seu papel dentro dessa recuperação”, explicou.

Segundo Mário, o Amor-Exigente atua em Medianeira desde 1998 e realiza encontros semanais voltados à orientação e ao fortalecimento das famílias.

Ele destacou que tentar resolver todos os problemas da pessoa dependente nem sempre representa uma forma adequada de ajuda.

“Nós precisamos de famílias assertivas e funcionais, não daquelas que querem ajudar de todo jeito e acabam atrapalhando. É preciso saber como ajudar”, afirmou.

Antônia participa do Amor-Exigente há 15 anos e contou que chegou ao grupo durante o período em que enfrentava a dependência química do filho.

“Às vezes as pessoas perguntam por que continuo indo ao Amor-Exigente depois de 15 anos. Eu digo que aquilo faz bem para mim. Consigo ajudar meu filho e também outras pessoas”, relatou.

Para ela, a troca de experiências entre os participantes é uma das partes mais importantes dos encontros.

“O que eu fiz na minha casa pode dar certo para outra pessoa ou não. Mas, ouvindo as experiências, ela pode perceber que existe outro caminho e outra forma de ajudar”, disse.

Antônia também falou sobre o sentimento de culpa enfrentado por muitos familiares. Ela contou que, quando o filho foi internado pela primeira vez, chegou a se responsabilizar pelo que estava acontecendo.

“Quando eu ia visitar meu filho, voltava chorando porque me sentia culpada. Dentro do Amor-Exigente, entendi que eu não sou culpada por ele estar nesse caminho”, contou.

Mário afirmou que o grupo trabalha a diferença entre culpa e responsabilidade.

“A gente não tem culpa, a gente tem responsabilidade. É preciso fazer alguma coisa, procurar informação e buscar ajuda”, destacou.

Durante a entrevista, Antônia citou alterações de comportamento, mentiras frequentes, pedidos de dinheiro e tentativas de manipulação como situações que podem servir de alerta dentro de uma mudança mais ampla na rotina da pessoa.

“Você conhece seu filho, seu marido, seu pai ou qualquer familiar. Quando o comportamento começa a mudar, você percebe que alguma coisa está diferente”, afirmou.

Mário reforçou que os familiares precisam observar as mudanças de comportamento e buscar orientação, evitando interpretar automaticamente determinadas situações como algo passageiro.

“O Amor-Exigente é comportamental. A gente trabalha justamente essas mudanças de conduta e ajuda a família a entender como agir”, explicou.

Antônia também orientou que os familiares evitem confrontar uma pessoa enquanto ela estiver aparentemente sob efeito de alguma substância. Segundo ela, a conversa deve acontecer em outro momento, quando houver melhores condições para o diálogo.

“Depois você conversa e pergunta: ‘O que está acontecendo? Você quer ajuda? Como eu posso te ajudar?’”, afirmou.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a necessidade de mudança também por parte dos familiares.

“Nada muda se eu não mudar. Não adianta querer que o meu ente querido mude se eu não faço nada para mudar e para poder ajudar”, disse Antônia.

Ela também citou uma das frases utilizadas pelo grupo para representar a proposta do Amor-Exigente:

“Amo você, mas não aceito o seu comportamento errado.”

Mário destacou que estabelecer limites também pode fazer parte do cuidado.

“Só amor não é suficiente. Precisa ser um amor exigente, aquele que orienta e educa. Às vezes a gente dá demais ou dá de menos. Precisamos encontrar equilíbrio”, afirmou.

As reuniões do Amor-Exigente de Medianeira são gratuitas e acontecem todas as segundas-feiras, às 19h30, na Sanem, localizada na Rua Maranhão, 1661, no Centro.

Antônia ressaltou ainda que os encontros preservam a privacidade dos participantes e das histórias compartilhadas durante as reuniões.

“O que você ouve lá e quem você vê lá permanece lá. Não interessa sair e ficar falando de quem participou da reunião”, afirmou.

Quem precisar de orientação ou quiser saber mais sobre o trabalho pode entrar em contato pelos números informados pelo grupo: (45) 99974-7428 e (45) 99965-2541.

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