Rui Sapateiro conta como construiu uma trajetória de mais de 40 anos em Medianeira
Empresário começou a aprender o ofício aos 13 anos e mantém uma rotina de consertos, atendimento e histórias compartilhadas com diferentes gerações de clientes.
Aos 13 anos, Rui Antônio dos Santos se ofereceu para trabalhar com um vizinho que tinha uma sapataria em Medianeira. Mais de quatro décadas depois, o ofício passou a fazer parte do nome pelo qual é conhecido na cidade: Rui Sapateiro.
Em entrevista ao quadro Conversando com o Empresário, da Rádio Cultura, nesta sexta-feira (2), Rui relembrou o início da profissão, as mudanças no trabalho e a relação construída com clientes de Medianeira e da região.
O aprendizado começou com Altamiro Gonçalves de Azevedo. Segundo Rui, quando o antigo proprietário decidiu investir em outro negócio, deixou a sapataria sob sua responsabilidade.
“Praticamente ele me deu a sapataria. E aí a história começou ali”, contou.
O estabelecimento passou por diferentes endereços até chegar ao ponto atual, na Rua Argentina, onde, conforme o empresário, funciona há aproximadamente 25 anos. A sapataria também ficou conhecida como “Hospital do Tênis”.
A demanda continua fazendo parte da rotina. Rui relatou que frequentemente permanece trabalhando depois de encerrar o atendimento ao público, quando consegue se concentrar nos reparos.
“Cada conserto é uma história diferente”, resumiu.
O trabalho vai além dos calçados. A sapataria recebe malas, mochilas, sacolas e outras peças que precisam de costura ou reparos. Rui também produz cintos de couro sob medida e atende clientes de municípios como São Miguel do Iguaçu, Matelândia e Foz do Iguaçu.
Entre os equipamentos utilizados está uma máquina que, segundo ele, já pertencia à família do antigo proprietário e tem mais de cem anos. A manutenção permite que continue sendo usada em um serviço que exige técnicas e ferramentas específicas.
Rui destacou a participação do funcionário Beto, que trabalha com ele há muitos anos. Também apontou a dificuldade de encontrar profissionais preparados para o ofício e explicou que os filhos seguiram outras carreiras.
Na avaliação do empresário, mudanças nos materiais dos produtos representam outro desafio. Há peças que permitem substituição de solados, costuras e ajustes, enquanto outras têm danos que inviabilizam o conserto.
Ainda assim, o motivo para recuperar um calçado nem sempre está no preço. Há clientes que procuram a sapataria porque encontraram um modelo confortável ou porque a peça tem valor afetivo.
“Muita gente tem o calçado que é de estimação. Isso tem todo dia”, relatou.
O balcão também se tornou um lugar de convivência. Ao longo dos anos, Rui passou a atender filhos e netos de antigos clientes, acompanhando mudanças nas famílias e na própria cidade.
“Tem gente que vai lá só para conversar”, contou.
A Sapataria do Rui fica na Rua Argentina, 1700, na região central de Medianeira, próxima à Igreja Matriz.