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Rui Sapateiro conta como construiu uma trajetória de mais de 40 anos em Medianeira

Empresário começou a aprender o ofício aos 13 anos e mantém uma rotina de consertos, atendimento e histórias compartilhadas com diferentes gerações de clientes.

Foto do Autor Larissa Parizotto | Redação

Por Larissa Parizotto | Redação

Postado: 02/10/2026

Aos 13 anos, Rui Antônio dos Santos se ofereceu para trabalhar com um vizinho que tinha uma sapataria em Medianeira. Mais de quatro décadas depois, o ofício passou a fazer parte do nome pelo qual é conhecido na cidade: Rui Sapateiro.

Em entrevista ao quadro Conversando com o Empresário, da Rádio Cultura, nesta sexta-feira (2), Rui relembrou o início da profissão, as mudanças no trabalho e a relação construída com clientes de Medianeira e da região.

O aprendizado começou com Altamiro Gonçalves de Azevedo. Segundo Rui, quando o antigo proprietário decidiu investir em outro negócio, deixou a sapataria sob sua responsabilidade.

“Praticamente ele me deu a sapataria. E aí a história começou ali”, contou.

O estabelecimento passou por diferentes endereços até chegar ao ponto atual, na Rua Argentina, onde, conforme o empresário, funciona há aproximadamente 25 anos. A sapataria também ficou conhecida como “Hospital do Tênis”.

A demanda continua fazendo parte da rotina. Rui relatou que frequentemente permanece trabalhando depois de encerrar o atendimento ao público, quando consegue se concentrar nos reparos.

“Cada conserto é uma história diferente”, resumiu.

O trabalho vai além dos calçados. A sapataria recebe malas, mochilas, sacolas e outras peças que precisam de costura ou reparos. Rui também produz cintos de couro sob medida e atende clientes de municípios como São Miguel do Iguaçu, Matelândia e Foz do Iguaçu.

Entre os equipamentos utilizados está uma máquina que, segundo ele, já pertencia à família do antigo proprietário e tem mais de cem anos. A manutenção permite que continue sendo usada em um serviço que exige técnicas e ferramentas específicas.

Rui destacou a participação do funcionário Beto, que trabalha com ele há muitos anos. Também apontou a dificuldade de encontrar profissionais preparados para o ofício e explicou que os filhos seguiram outras carreiras.

Na avaliação do empresário, mudanças nos materiais dos produtos representam outro desafio. Há peças que permitem substituição de solados, costuras e ajustes, enquanto outras têm danos que inviabilizam o conserto.

Ainda assim, o motivo para recuperar um calçado nem sempre está no preço. Há clientes que procuram a sapataria porque encontraram um modelo confortável ou porque a peça tem valor afetivo.

“Muita gente tem o calçado que é de estimação. Isso tem todo dia”, relatou.

O balcão também se tornou um lugar de convivência. Ao longo dos anos, Rui passou a atender filhos e netos de antigos clientes, acompanhando mudanças nas famílias e na própria cidade.

“Tem gente que vai lá só para conversar”, contou.

A Sapataria do Rui fica na Rua Argentina, 1700, na região central de Medianeira, próxima à Igreja Matriz.

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